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A Prática Analítica e o Mal-estar Atual

O divã é uma representação simbólica do trabalho analítico, que opera pelo dizer e pela escuta do analista. O design de um divã tradicional mas acoplado com a tecnologia contemporânea – celular, tablet, impressora, laptop e instrumentos da neurociência – saiu das mãos do artista plástico Thiago Pereira Mendes, ao perguntar à comissão da jornada qual seria a marca da psicanálise.


>Temos, então, o divã futurista, mas sem esquecer a LETRA A e os NÓS BORROMEANOS enlaçando o Imaginário, o Simbólico e o Real.


Trabalhamos com a palavra – “o inconsciente é estruturado como linguagem” – buscando o sujeito nas hiâncias da cadeia significante.


Para fazer frente ao mal-estar atual, nos tempos sombrios do discurso capitalista, que procura abolir o sujeito ceifando seu desejo e uniformizando suas demandas, encontramos o discurso do analista, que subverte o mais de gozar, transformando-o em causa de desejo.


A psicanálise não brinca em serviço.


Ela provoca a queda das identificações, lida com o sintoma que traz a verdade do sujeito, trabalha as fantasias e acolhe a angústia que move o aparelho psíquico em direção ao desejo, tendo como mola propulsora a transferência.


Trabalhando o mito individual de cada sujeito, caminha do Imaginário ao Simbólico e nos faz capazes de bordejar o real do mal-estar. “Isso significa passar a clínica a limpo” e reinventar nossa práxis.



Comissão da Jornada:

Ana Cristina Teixeira da Costa Salles

Messias Eustáquio Chaves

Selma Gonçalves Mendes

Vanessa Campos Santoro

Walesca de Lima Faria Bernardes



Acompanhando a “marca do tempo” feita por Marco Antônio, podemos perceber que o marco teórico inicial-oficial da psicanálise começa em 1900, com os dois volumes de A Interpretação dos Sonhos. Acrescento que Freud está com 44 anos de idade. Em 1902, Freud cria a Sociedade Psicológica das Quartas-feiras, que ele substitui depois, em 1908, por uma nova criação, a Sociedade Psicanalítica de Viena e faz o I Congresso em Salzburgo. Em 1909, ele aceita convite, vai aos Estados Unidos e faz conferências na Universidade Clark. Em 1910, ele cria a IPA – Associação Psicanalítica Internacional, sendo Jung o 1º. Presidente, e realiza o II Congresso de Psicanálise, agora Internacional, em Nuremberg. Freud está com 54 anos de idade. Em 1912, ele cria o Comitê Secreto, visando à proteção da Psicanálise, cujas resistências à teoria freudiana, que iniciaram muitos anos antes, só aumentam, na medida em que Freud, determinado e confiante em suas descobertas fundamentais, resiste à resistência à Psicanálise e age na direção contrária, buscando disseminar suas ideias mais e mais, tornando-as universais. Marco Antônio nos assinala três ciclos nos progressos da psicanálise de 1900 até 1915. 1º.) Ciclo do Inconsciente, de 1900 até 1905 (pulsão). 2º.) Ciclo da Fantasia, de 1906 até 1911. 3º.) Ciclo da Técnica, de 1912 até 1915. E o que Marco Antônio nos transmite como tendo acontecido antes de 1900?


Durante os mais ou menos 10 anos anteriores, Freud está criando-inventando-teorizando os primórdios da Psicanálise, a partir da escuta de suas pacientes histéricas, reconhecendo o que aprendeu com Charcot e com Breuer, mas abandonando a prática da Hipnose e da Sugestão. Durante os anos de criação da psicanálise, extremamente atento a tudo o que acontece na prática clínica, Freud descobre com seus pacientes, principalmente as histéricas, a importância da fala dos pacientes, narrando suas dores no corpo e seus sofrimentos psíquicos, o poder que as palavras tem nas falas soltas e livres, e não se absteve de encorajá-las a dizerem tudo o que surgisse em suas lembranças. Foi assim, passo-a-passo, na estrada da clínica e de uma escuta apurada do neurologista-psicanalista, que Freud foi criando e elaborando teoricamente os principais conceitos dos fundamentos da Psicanálise, nome forjado por ele em 1896, no artigo “Hereditariedade e etiologia das neuroses”. Os Fundamentos da Psicanálise – associação livre, inconsciente (já “estruturado como linguagem”), pulsão, sexualidade, recalque, fantasia, desejo, transferência, repetição, resistência ao tratamento, ética analítica, estruturas psíquicas, posição do analista –, já claramente elaborados ou apontados para uma elaboração mais bem constituída ulteriormente. Esta é uma pequenina síntese que faço da Primeira Conferência de Marco Antônio, ocorrida no CPMG no dia 03/03/2018, fazendo a sua transmissão sobre “A prática analítica”. O local esteve repleto de ouvintes e foram várias as manifestações de prazer, muitos dizendo o quanto apreciaram a fala do conferencista, devido principalmente à sua competência teórico-clínica, ao seu estilo saboroso de transmissão e a sua abertura respeitosa ao diálogo com a plateia. Compartilho com os colegas analistas do Círculo, com os candidatos em formação e todos aqueles que estão estudando este volume da Prática Analítica em Grupos de Estudo e Produção, o quanto me sinto identificado com a escrita do Marco Antônio, o quanto me sinto saboreando o seu estilo de transmissão e o quanto me sinto muito tranquilo para recomendá-lo a todos que se interessarem pela psicanálise. Vale a pena conferir.


Referência

Jorge, M.A.C. Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan: A prática analítica, v.3. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 59


Autor desta síntese:

Messias Eustáquio Chaves

Psicanalista-sócio do CPMG

Membro da Comissão da Jornada de 2018



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