Diretoria Científica

Partindo do pressuposto de que o desejo de analista tem um preço alto a ser pago, ou seja, a formação do psicanalista é permanente, um grupo de sócios estudou durante um ano e oito meses sobre a formação no CPMG. Apresentaram o produto em dez trabalhos, que foram discutidos com sócios e professores. A ênfase maior é na análise pessoal como fundamental para a formação, do psicanalista, desde o 1º tempo, além dos seminários teóricos.

 

As entrevistas iniciais realizadas com dois sócios visam a escuta desse pedido particular.
Criou-se o “referente”, sócio que acompanha o candidato em formação em seu percurso no Círculo.
No início do ano haverá reuniões com os candidatos em formação para esclarecer melhor esses procedimentos que visam tornar o Círculo um espaço agalmático para todos.

 

Temos pensado que o ensino da psicanálise nas academias é diferente de uma formação em psicanálise feita nas instituições e escolas.
No Seminário 17: O avesso da psicanálise (1969-1970), Lacan estabelece os discursos do mestre, da histérica, universitário e do analista, mostrando as particularidades de cada um em relação aos laços sociais.

A entrada em análise é concomitante ao discurso da histérica que tem o sujeito no lugar de agente, e o analista é colocado na posição de mestre, que é o suposto saber (SSS).

 

O discurso do analista coloca o saber adquirindo na análise pessoal como sustentação do analista na posição de agente, ou seja, na posição de causa de desejo. Essa é uma posição ética. A formação analítica não pode ser uma obrigação como nas academias, e sim uma opção.

Nas jornadas passadas falou-se muito em desordens nos laços sociais promovidos pelo discurso do capitalista, com consequências para a família e as funções de pai e mãe pulverizadas e enfraquecidas.

 

Há a prevalência da demanda que deve ser alimentada e satisfeita a todo custo, em detrimento do desejo.

 

O desejo implica a dimensão da lei e a lógica da castração: quem perde, ganha.

 

Um artigo se presentifica como referência: A falta está fazendo falta, de Dr. Antônio Franco Ribeiro da Silva (Reverso, n. 38, p. 7-21, set. 1994, Mazza Edições).

Dr. Antônio foi um mestre que soube transmitir a psicanálise, além de analista e supervisor de muitas de nós.

O tema nos pareceu muito atual e clínico: se não houver falta, não há desejo. Daí não há sujeito do inconsciente. E a psicanálise perde a dimensão de causa.

Pensamos como sugestão de estudo o Seminário 10: a angústia, de Lacan ([1962-1963] 2005), e os textos de Freud Inibição, sintoma e angústia (1926), O futuro de uma ilusão (1927) e O mal-estar na civilização (1930).

 

Como professora convidada para nos orientar na leitura do Seminário 10 teremos a psicanalista Gilda Vaz Rodrigues, conhecida de todos nós através de sua transmissão em seminários e livros tais como: A escrita do analista, Fascínio e servidão, Entre cartas e recortes – a psicanálise no cotidiano e Destinos da sexualidade.

 

A aula inaugural será no dia 10 de março, no CPMG, ministrada pela psicanalista Simone Pinho Ribeiro “A falta que ela me faz”.
Informem-se sobre os novos grupos de estudo e produção que nos ajudarão na leitura dos textos recomendados. Como dissemos no boletim de 2016, os grupos de estudo são uma forma de saber do discurso do mestre ou universitário e passar para o discurso histérico, que interroga o saber e permite mais ousadia, participação e trabalho entre os pares.

 

 

Os responsáveis pelos setores são:

 

Diretora Científica:
Vanessa Campos Santoro – (31) 3227-2718

 

Seminários Permanentes e Grupos de Produção:
Elga Rosalva Silva – (31) 3227-9514

 

Seminários Livres:
Maria Helena Ricardo Libório Barbosa Mello – (31) 3227-0316

 

Clínica de Psicanálise:
Túlcia Vasconcelos Barros Poggiali – (31) 3224-9024

 

Jornada de Psicanálise do CPMG:
José Sebastião Menezes Fernandes – (31) 3241-2327